domingo, 23 de outubro de 2011
Estava sempre no banco e não era cliente
Como contei, todo banco tem clientes cativos, que estão lá quase todos os dias, mesmo que seja apenas para cumprimentar as pessoas e tomar cafezinho. Enfim, troquei de agência e comecei a reparar quem frequentava o meu novo local de trabalho. Um chamava muito a atenção porque estava TODOS os dias lá. Todos os dias, sem exceção. Antes da agência abrir, ele estava no auto-atendimento. Quando a agência abria, ele ia ao caixa ou a outro balcão, passava um tempo ali e voltava para casa. Ele morava ali perto, mas eu ainda não sabia o nome dele. Foi assim por uns três meses, até que em um dia de agência lotada ele resolveu ser atendido na gerência. Esperou por muito tempo, até que chegou a vez dele. Eu perguntei em que poderia ajudá-lo e ele, curiosamente, se apresentou e me entregou uma caixa de bombons. Eu agradeci e perguntei o número da conta dele, para iniciar o atendimento. Ele respondeu "eu só esperei para não atrapalhar a fila, mas só queria te entregar essa caixa de bombons. Essa marca de chocolate é da minha cidade". Achei super gentil. Levou um tempo para eu saber que ele na verdade nem era cliente do banco. Acabou virando depois, quando insistimos para ele abrir a conta, por incrível que pareça.
O público de sempre
Em geral, sempre assumi o papel de atendente oficial da terceira idade. Era o público mais frequente na agência e cada um tinha uma peculiridade. Já houve um que levava recortes de jornais com as matérias que ele considerava importante. Ele deixava em um dia e aparecia no outro para perguntar se eu tinha lido e buscar o recorte de volta para entregar para outra pessoa. Outros iam só para tomar cafezinho e bater um papo. Outros gostavam que eu imprimisse o extrato. Uns iam sozinhos, outros levavam netos. Uns cumprimentavam todo mundo e tinham um astral excelente. Outros ficavam mais nos caixas, mas da mesma forma estavam sempre por lá. Alguns entendiam tanto de banco que a gente brincava que ia trocar de lugar "quer assumir a gerência e chamar o próximo cliente?". Por sorte, trabalhei em locais em que os clientes, em geral, era pessoas amistosas - o que fazia daquele ambiente quase uma cidade de interior, com uma rotina, convivência e até um bolinho e pão de queijo, de vez em quando, que um ou outro trazia.
Presentes inusitados - parte 2
Uma colega de trabalho já ganhou um jaboti (vivo) de presente. Ela trabalhava no caixa na época e uma vez comentou que o filho tinha asma e ela já tinha tentado de tudo: da alopatia à homeopatia, passando por curandeiros e religiões diversas. O cliente ouviu o apelo dela e contou uma crendice: bastava colocar um jaboti em uma caixa embaixo da cama dele e deixa o animal morrer de sede e fome. Enfim, ela ouviu a história e, dias depois, ele apareceu novamente dizendo "trouxe um presente para você". E foi assim que ela ganhou um jaboti enorme, que ela não matou, é claro, mas que foi um presente e tanto, no fim das contas. O bichinho virou a atração da família e morou com eles por muitos anos, até que ela se mudou para um apartamento e resolveu doá-lo ao zoológico da cidade.
Presentes inusitados
Houve uma época em que toda semana traziam queijo para mim. No caso, um cliente que tinha uma chácara fazia essa generosidade. Em tempo de manga eu ganhava muitas mangas, mas também recebia outras variedades de frutas. Falando assim, parece até que eu trabalhava em uma área rural, mas não era. Os meus colegas que trabalhavam com crédito rural, esses sim, ganhavam presentes inusitados: ovos fresquinhos, verduras ou até mesmo uma galinha... viva! Ou um porco... vivo! Como eles faziam para levar o animal, eu não sei. Só sei que como boa vegetariana eu não teria outra opção a não ser ficar amiga deles e encontrar um novo local para eles viverem.
Do oito ao oitenta: também trabalhei uma época com grandes aplicadores e ganhei presentes fora do padrão: perfume francês, cestas de natal sofisticadas ou panetones da Koppenhagem. As clientes mais talentosas no tricô ou crochê já me trouxeram cachecol, toalhinhas fofas ou outros mimos.
Já recusei presentes também. Na verdade o correto é não aceitar esses presentes, mas é difícil recusar de uma pessoa com quem você tem um relacionamento amistoso e quer te agradar no natal, por exemplo. Recusei presentes quando, por exemplo, clientes que eu tinha negado crédito começaram a aparecer com presentes sofisticados com a clara intenção de me agradar ou fazer amizade. Nesses momentos, delicadamente, dizia que era contra o código de ética aceitá-los.
Do oito ao oitenta: também trabalhei uma época com grandes aplicadores e ganhei presentes fora do padrão: perfume francês, cestas de natal sofisticadas ou panetones da Koppenhagem. As clientes mais talentosas no tricô ou crochê já me trouxeram cachecol, toalhinhas fofas ou outros mimos.
Já recusei presentes também. Na verdade o correto é não aceitar esses presentes, mas é difícil recusar de uma pessoa com quem você tem um relacionamento amistoso e quer te agradar no natal, por exemplo. Recusei presentes quando, por exemplo, clientes que eu tinha negado crédito começaram a aparecer com presentes sofisticados com a clara intenção de me agradar ou fazer amizade. Nesses momentos, delicadamente, dizia que era contra o código de ética aceitá-los.
Desculpe, foi engano!
Já trabalhei em uma agência que tinha um número de telefone com uma peculiaridade: era o mesmo número indicado no site dos Supermercados Extra em Brasília. Avisamos várias vezes ao pessoal do Extra que o número que eles indicavam no site estava errado e era... exatamente o telefone da agência bancária onde estava trabalhando. Mesmo assim, não me irritava atender ligações erradas. Para ser sincera, com a demanda de atendimento que já era alta pessoalmente e ainda aumentava com as ligações de outros clientes que precisavam de atendimento, eu até gostava quando era engano. Me lembro bem quando eu dizia "Banco XXXX, bom dia!" e a pessoa do outro lado respondi "desculpe, foi engano". A minha vontade era dizer "não precisa se desculpar, sou eu quem agradeço". Bom, apesar de ter escrito essa queixa, sempre gostei de atendimento ao público e se fosse um cliente de fato, eu atenderia numa boa, com certeza.
Senhor, não queira me irritar!
Quem dizia essa frase era um colega de trabalho, quando ele estava no setor de atendimento ao público. Ele dizia isso para o cliente, por incrível que pareça. Ele procurava manter a compostura, mas quando o cliente levantava a voz, começava a pronunciar palavras inadequadas (que não vem ao caso agora) ou colocava em xeque o profissionalismo dele, ele respirava profundamente e olhava com firmeza para a pessoa, dizendo: "não queira me irritar"... como quem diz "não me faça perder o auto-controle agora".
Sua paciência me irrita!
Ouvi essa frase de uma cliente enquanto prestava atenção na queixa dela e a deixava falar, esperando que ela se acalmasse. Me lembrei dessa história semana passada e resolvi dar mais uma alimentada no blog. A história foi a seguinte: ela estava muito, muito muito aborrecida porque não conseguia tirar talão de cheque na máquina (ou alguma coisa do tipo) e eu ouvia a história dela e dizia calmamente "tudo vai se resolver..." e verificava o que precisava de ajuste. Ela estava inconformada, aborrecida, agitada e eu sabia que era simples de colocar em ordem e estava tranquila. Só me dei conta de que precisava ter sido mais assertiva quando ela disse "Sua paciência me irrita... profundamente!". Respirei fundo porque tive vontade de rir e daí acelerei a minha fala para entrar um pouco mais no ritmo dela, mostrar que queria ajudá-la. No final deu tudo certo e ela saiu de lá pedindo desculpas pelo jeito que tinha falado comigo e disse que eu era um anjo de pessoa. De vem em quando eu me lembro dessa frase, que achei muito sincera e hilariante.
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